10.11.09
"berlim, berlim, morreu a nove".

Berlin Est vue de l'Ouest, Stéphane Duroy
[da Europa dos Encontros de Fotografia, Coimbra, 1997].

Muro pessoal: um confuso e colorido directo visto num pesado televisor Blaupunkt. Perguntas respondidas com espera, deixa ouvir. Um concerto estranho do Roger Waters, anos depois. Achtung Baby, U2 fotografados por Anton Corbijn, Mão Morta o muro está a cair, o muro está a cair, que faço eu aqui com as mãos manchadas de sangue? Stéphane Duroy na inesquecível Europa dos Encontros de Fotografia de Coimbra, em 1997. Adeus, Lenine, claro. O golo de Jürgen Sparwasser no mundial de 74, reconhecido tempos depois. Objectos e mais objectos. Astérix e o Grande Fosso. As Vidas dos Outros. A trilogia de Berlim, de Bowie, Berlin de Lou Reed. Wenders, de forma certa. As imagens frias, sempre muito frias, quase sempre outono, inverno. O El País Semanal de 18 de Outubro, ímpar exercício de rememoração de uma cidade: Fue otra noche, la del 9 al 10 de noviembre de 1989, cuando culminó y terminó la sincronización trágica entre la historia de Berlín y la del mundo. Alguém me diz: há ainda muitos muros por cair. Prova provada do falhanço da humanidade enquanto projecto comum. 

* título: abertura de Berlim, poema de Adolfo Luxúria Canibal musicado pelos Mão Morta, integrado no disco Mutantes S.21, editado em 1992.
 
posted by Eduardo Brito at 7:50 da tarde | Permalink |


0 Comments: