25.8.09
a falsa arte.
Casado durante vinte e nove anos, o Senhor L. não perdoou à senhora L. a sua morte repentina. Menos de um ano depois da sua partida, iniciou uma relação com a senhora T., quinze anos mais nova. Muitos disseram, ò vozes sem fundamento, que o senhor L. mais não estava que a assumir em público a sua amantizada de há alguns anos. Mas não. O Senhor L. e a Senhora T. nunca se relacionaram antes do desaparecimento da Senhora L. É que, ao fim e ao cabo, o Senhor L, ao entregar-se de tão rápido e profundo modo à Senhora T. quis com isto dizer-se que não perdoava o inesperado adeus da Senhora L., súbito e sem qualquer despedida. Vingança, portanto, pela falsa arte do esquecimento. Já a Senhora T. sucumbira aos encantos do Senhor L por este lhe trazer de volta o irmão mais velho, que perdera em violento acidente um ano antes. Vingança, também, mas desta feita pela falsa arte da memória.
 
posted by Eduardo Brito at 9:14 da manhã | Permalink |


1 Comments:


At 4:03 da tarde, Blogger casimirosilva

Excelente!