13.5.09
dois mil e doze - como nos venden la moto.
a) Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012 vai ser um fracasso: não se ouve falar em lado nenhum, é coisa de "provincianos do norte", sem impacto. Nada vai ser bem feito já que os tipos que lá estão têm "mentalidade pequena, nunca foram a lado nenhum, não têm visão". O anúncio de um evento que durará, formalmente, um ano completo, que acontece em Portugal de onze em onze anos, que tem repercussão europeia (ou não estivesse lá o nome), que tem a ambição de requalificar uma cidade, de criar novos centros de desenvolvimento, envolvendo uma euro-região inteira, um país inteiro, não passou de uma notícia inserida nos suplementos locais dos jornais nacionais. Não abriu nem foi destaque em telejornais. Pudera, não foi lá.

b) Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012 vai ser um sucesso: mesmo não havendo tempo, usa-se, parafraseadamente, uma fórmula apresentada aqui há uns tempos e com toda a ironia, por Rodrigo Areias: compram-se espectáculos, vêm cá os grandes nomes e, em 013, a coisa fica fantasma.

c) Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012 vai ser assim assim: feita em tempo recorde, com um investimento estatal bem menor que o mesmo investimento estatal feito nas centralidades clássicas. Orçamento minúsculo? Fazer muito com pouco, less is more, já dizia o arquitecto. É que investir numa coisa tão grande em cidade tão pequena é sempre mais um tiro que se preferiria dar no próprio pé central.

d) Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012 vai cumprir-se enquanto Capital - criando uma nova centralidade (variar é preciso, afinal, somos quase onze milhões), fazendo com que certas coisas não aconteçam só aqui mas, ao menos simbolicamente, que comecem a acontecer aqui ou que comecem por acontecer aqui;
vai cumprir-se enquanto Europeia - fazendo com que as tais coisas tenham uma atractibilidade e dimensão nacional (sim, isso é cumprir-se europeiamente) e transnacional, mobilizando públicos de outras euro-regiões;
vai cumprir-se enquanto cidade da Cultura - adicionando uma vivência cultural a uma cidade e a uma região centradas na indústria e na agricultura. Sem entrar na febre do "formar novos públicos" ou das "indústrias criativas", mas, sim, possibilitando o aparecimento de novas alternativas aos padrões normalizados de consumo cultural da região, elevando-os e massificando-os, gerando mais possibilidades de escolha, oferecendo novos e diversificados modos de ler o mundo. Mais liberdade, ao fim e ao cabo.

Vamos ver como nos vendem a moto. Guimarães, ano zero, alínea d).

[editado]
 
posted by Eduardo Brito at 6:08 da tarde | Permalink |


6 Comments:


At 7:01 da tarde, Blogger Ines Saraiva

posso votar por sms?
aqui em mons (que é candidata a capital europeia da cultura 2015) chegaram ecos da confirmação vimaranense!
beijinho *i

ps. descubra as diferenças:
http://www.mons2015.eu/

 

At 11:06 da manhã, Blogger SicGloriaTransitMundi

Caro Eduardo Brito:

Apreciei com um sorriso todo o teu post e deixo aqui os meus comentários ao post e ao assunto:

a) Gostei de ver que no jornal desportivo O Jogo o facto foi mais explorado do que noutros meios. Vá-se lá perceber porquê.

b) Acho que fantasma, já a nossa cidade é em algumas coisas. O facto de estarmos bem fornecidos de vias de comunicação muito rápidas e seguras, além de trazerem mais gente cá, também fazem com que as pessoas se vão embora depressa e não fiquem! O mesmo acontece com os locais! Para muita gente é mais "chic" ir ao teatro, ao cinema ou a outro qualquer espectáculo a Lisboa, Porto ou Braga... Eu sei que muitas das vezes se vai pelo passeio, mas em muitos casos não é bem assim! Mentalidades...
Mas neste ponto parece-me que se torna necessário fazer uma profunda reflexão. O que é que faz com que as pessoas venham e possam ficar? É preciso aproveitar melhor os espaços públicos para animar a cidade. Os turistas não se querem meter em salas! Os turistas querem viver e sentir as cidades, querem espectáculos nas ruas, nas praças, coisas que animem a cidade e façam as pessoas sair de casa! Nisso os espanhóis são mestres! E é nisso que temos de apostar...PAra que a cidade não seja fantasma...
E depois há a oferta hoteleira. Guimarães ainda não tem capacidade hoteleira para ter cá tanta gente, por isso as pessoas não ficam cá. Vêm cá, mas vão dormir ao Porto ou a Braga. Não pode ser. Guimarães não pode ser mais um mero ponto de passagem. Tem de ser um ponto de chegada e permanência de turistas, tanto em tremos hoteleiros como culturais! Acho que se está a tentar lutar contra isso. Parece-me uma luta de David contra Golias, mas vamos andando.

c)Se achavam que Guimarães não tem tamanho para tal coisa para que a propuseram? Para depois justificarem o não investimento em pequenas cidades argumentando que tais cidades não tem capacidade para tal? Já chega de centralismo!

d)Guimarães já tem públicos de outras regiões. Há certos eventos que já puseram Guimarães no mapa e trazem gente de todo o lado para cá!
Sei que há pessoas de Braga, Porto, Chaves, Coimbra, Lisboa, Vigo (só para citar alguns exemplos) que já são "clientes" de alguns eventos anuais da cidade, como o Guimarães Jazz, as Festas da Cidade ou outros eventos.

Mas tudo vai correr bem, de certeza! É que "where there's a will, there's a way!".

 

At 11:54 da manhã, Blogger Samuel Silva

Voto na a). Vai ser complicado ser capital da Europa quando não conseguimos ser sequer capita no próprio país.

Mas a "culpa" não é só da centralização dos OCS em Portugal. É, como já tenho dito, da ausência de uma política de comunicação externa de Guimarães.

 

At 1:41 da tarde, Blogger Cathal Foster

A necessidade de chamar à atenção de pessoas que têm cérebro infantil é de tal ordem gigante que nem são capazes de fazer as contas e reparos mais simples.

Se a cidade foi aprovada é porque tem capacidades para tal. E Só não somos capital de Portugal apenas por razoes politicas. E porque será que Guimarães foi classificada como 2ª melhor cidade de Portugal para se viver (ficando a seguir a Lisboa por uma diferença de meros 5 pontos para 15 pontos para o 2º lugar)


Para começar antes de 2012 faltam 3 anos... e já muitos eventos foram preparados em menos de um ano...

Para continuar, as obras por toda a cidade já se fazem sentir, mas graças ao nosso governo estão sempre a ser negados projectos devido ao estatuto de PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE.

Depois, se a necessidade de querer inferiorizar tudo e todos do Sr. Eduardo Brito (note-se que Brito é uma pequena freguesia de Guimarães) é o único meio para se querer mostrar e superiorizar, então escolha os melhores argumentos, tendo provas palpáveis para os argumentar.

Se assim desejar, pode sempre passar pela cidade e ver as reais obras que aqui se andam a fazer antes de continuar com tamanha besteira.

A sério que a inveja é feia...

 

At 5:36 da tarde, Anonymous sandra

quem não acredita no bem fala logo do mal e deste modo nem sequer deixa nascer...para quê...afinal numa zona de industria e agricultura estar a realizar intervenções culturais deve ser como dar pérolas a porcos...não acha?!