10.3.09
espera pessoal #1.
Glasgow, Central Station. Fotografia digital.

Eu pensava na espera, no tempo que passamos à espera, todo somado, na necessidade de termos sempre alguma coisa para preencher a nossa espera, livro, filme, canção, mensagem de texto, torná-la menos espera, uma espera melhor, e nisto, a filha do presidente morto matado discursa no funeral do pai e diz vamos parar de nos matar e aquilo marca-me, repete vamos parar de nos matar de uma vez por todas, comove-me, ela contém o choro, a cena muda. O que é preciso sentir para que uma filha queira dizer aquilo quando perde o pai?, fico ali parado, à espera de qualquer coisa, lembro-me de Lobo Antunes dizer que escrevia para o pé do Zé Francisco, lembro-me de Cohen, sempre Cohen, já aqui escrito, em I Knelt Beside A Stream, a dizer wept in a general way for the fate of men.
 
posted by Eduardo Brito at 7:57 da tarde | Permalink |


0 Comments: