11.2.09
gramática da aniquilação, pt. 1.
"E então começámos a desinteressar-nos pelas coisas, lentamente, primeiro uma que cai, depois outra que já não se levanta, depois ainda mais outra que era para ser feita e acaba por não ser. A vontade de ir fazendo, de pôr a fazer estava gasta primeiro, desgastada depois e agora, finalmente, morta e bem morta. Ido o futuro, nada mais interessava senão a história, a narrativa, a alienação da palavra, a imagem que cada frase trazia. A nossa cabeça ficou apenas com histórias. Histórias de bruxas e reis, reis fortes e reis loucos, feitiços e maldições, e também batalhas onde os soldados da linha da frente se sujavam de medo pelas pernas abaixo. E sangue, sobretudo muito sangue a fecundar o chão."

 
posted by Eduardo Brito at 3:36 da tarde | Permalink |


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