14.12.07
pequeno almoço.
Um homem de polegar bífido bebe uma cerveja ao balcão do café de subúrbio às nove da manhã. A mulher e a filha aguardam-no, sentadas numa mesa. Num instante, a pequena levanta-se e abraça-se à perna do pai que se volta para ela, com olhos de pesado brilho, e diz larga-me, caralho, senão levas. A pequena, assustada, mais se assusta com o estridente anda cá que lhe grita a mãe. O homem de polegar bífido olha para o fumo do seu cigarro, bebe tranquilamente a cerveja e murmura para o empregado isto está mau, pá. Olha-o como se ele fosse o culpado de tudo e o empregado encolhe os ombros e o homem de polegar bífido regressa vagarosamente à imensidão do seu copo. Tem a barba por fazer, o cabelo brilhante de gordura, as mãos sujas. Usa casaco de napa e entre a camisa e as calças vê-se entalada uma pistola. No café apenas se ouve o estalar das moscas na lâmpada de filamento.
 
posted by Eduardo Brito at 12:09 da tarde | Permalink |


4 Comments:


At 2:13 da tarde, Blogger Olavo Lüpia

eheheheh.
isso foi naquele café da minha terra?!!
abraço.

 

At 7:32 da tarde, Blogger elisa

gosto deste blog... é como o pequeno almoço. dá prazer em comer. obrigado e bom apetite
elisa

 

At 8:57 da tarde, Blogger EB

muito obrigado, elisa.
nope, olavo. foi por aí... ;)

 

At 8:57 da tarde, Blogger EB

muito obrigado, elisa.
nope, olavo. foi por aí... ;)