12.11.07
o homem que não sabia porque haveria de escrever.
Digital. © Marianne Norsen.

(...) Vive-se com a história e memória dos que partiram. Depois partimos nós, vivendo mais um tempo na memória dos que nos sobrevivem, até ao fim destes, até ao fim de todos, até à altura em que nos reunimos na história dos mortos, nós que quase vencemos a morte e que nem a história da lembrança vamos conseguir deixar escrita. Ficarão de pé traços da passagem da espécie pela Terra e pelo Espaço. Finalmente, a Terra será pó e com ela a história e a memoria da espécie. Depois, como agora, tudo voltará a acontecer. Outros virão e desconhecerão a existência destes, tal como nós dos outros, e do quão longe todos estiveram quase a chegar. Até ao fim dos ciclos, até ao fim da história, até ao fim da lembrança.

Marcel-Yves Charnier, Mon Portrait d'Auteur, s/d, ed. do autor.
 
posted by Eduardo Brito at 12:54 da tarde | Permalink |


2 Comments:


At 1:01 da manhã, Blogger Ariadne

Olá, Homem que afinal sabe o que escrever, mas ainda nao descobriu o porque.
Nao sei se nos conhecemos (de Coimbra?), mas gostava de te convidar a participar na cadeia blogosférica da página 161.
O meu blog:

http://dazwischenland.blogspot.com/

Aparece...

 

At 11:46 da tarde, Blogger EB

Não estou a ver... Devia estar? Quanto à corrente - que só agora vi - trato disso este fim de semana. :)