29.11.07
sobre o barão de ausenthal (3): as cicatrizes.
(...) Ausenthal olhou fixamente o corpo morto de Vasil Rosmanov, gravando na memória a última expressão da cara deste. Teve a nobreza de lhe fechar os olhos. Depois, deixou o Barão cair um breve instante de insignificante comoção. Recomposto e após uma pensativa pausa, do alto grave da sua voz sairam-lhe as seguintes palavras, metáfora sublime de todas as vidas, repetidas com profundíssima convicção:
- Todos somos feitos de cicatrizes. Todos somos feitos de cicatrizes.


Xavier Quaresma: A Desventurada Vida do Preclaro Barão de Ausenthal, 1901, ed. do Autor, página 161.

 
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25.11.07
araduca.
Dizem que a cidade teve vários nomes*. De Leobriga a Cataleuca, de Celiobriga a W(e)imaria, de Via Maris a Vimaranes, longo foi o caminho percorrido pela terra até que todos eles se tornassem em Guimarães. De entre todos os nomes, de entre todas as histórias que lhe dão nome, há quem diga que Guimarães foi, em tempos, Araduca, o lugar de letras, a cidade do saber, fundada pelos Turdetanos, mencionada por Ptolomeu na sua Geografia. São, portanto, de uma as memórias de outra: histórias da História para ler devagar.


* informações colhidas em
Memórias Ressuscitadas da Antiga Guimarães, de Torquato Peixoto de Azevedo, Padre, 1692 . Ed. de 1845, p. 151-153.

 
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24.11.07
vimaranenses - referências de penúltimo dia.
No fim do penúltimo dia da exposição Vimaranenses, duas referências já com dias, mas sempre agradáveis: uma aqui e outra aqui. Depois de amanhã, a exposição passará a memória. Mas o livro fica por aí.
 
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22.11.07


I heard of a man
who says words so beautifully
that if he only speaks their name
women give themselves to him.

If I am dumb beside your body
while silence blossoms like tumors on our lips.
it is because I hear a man climb stairs
and clear his throat outside the door.



Leonard Cohen, in Let Us Compare Mythologies, 1956.
 
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16.11.07
o regresso de mccoy.
Malcolm McCoy Downward Spiral, Digital Print. 1,50 m x 1,20 m. 2007.
 
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polaris actualizado - s/t, 1926.
Depois de um mês de silêncio, o Polaris regressa de mansinho e sem regularidade marcarda. Para recomeçar, um filme a preto e branco, com título errado e que não consta do arquivo-imdb. Depois, logo se verá.
 
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12.11.07
o homem que não sabia porque haveria de escrever.
Digital. © Marianne Norsen.

(...) Vive-se com a história e memória dos que partiram. Depois partimos nós, vivendo mais um tempo na memória dos que nos sobrevivem, até ao fim destes, até ao fim de todos, até à altura em que nos reunimos na história dos mortos, nós que quase vencemos a morte e que nem a história da lembrança vamos conseguir deixar escrita. Ficarão de pé traços da passagem da espécie pela Terra e pelo Espaço. Finalmente, a Terra será pó e com ela a história e a memoria da espécie. Depois, como agora, tudo voltará a acontecer. Outros virão e desconhecerão a existência destes, tal como nós dos outros, e do quão longe todos estiveram quase a chegar. Até ao fim dos ciclos, até ao fim da história, até ao fim da lembrança.

Marcel-Yves Charnier, Mon Portrait d'Auteur, s/d, ed. do autor.
 
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