28.5.07
sobre o barão de ausenthal (1): a memória olfactiva.
Enquanto mergulhava a cabeça nos perfeitos peitos da menina Letícia, o Barão de Ausenthal inalava profundamente o aleitado aroma desta, feito da inocência de seus quinze anos. Pensava no tanto tempo que tinha passado desde a última vez que sentira este cheiro. Não lhe saía da cabeça este regresso, este reencontro com uma memória olfactiva tão evocante. Repetia para si próprio, vezes e vezes sem conta
- Deus do céu, há tanto tempo que não cheirava este cheiro.
Pese embora o seu sexagenário rosto, de eriçado cavanhaque, oscilasse desenfreado e feliz entre o perfeito peito e o secreto sexo da menina Letícia, o Barão de Ausenthal estava ciente que por muitas vezes que regressasse a este odor, jamais regresso significaria encontro.

Xavier Quaresma: A Desventurada Vida do Preclaro Barão de Ausenthal, 1901, ed. do Autor, página 91.
 
posted by Eduardo Brito at 6:31 da tarde | Permalink |


1 Comments:


At 7:37 da tarde, Blogger Ergolas

Excelente!