6.5.07
assim fazia maceda.
"Cada Verão (...) assim fazia: escolhia uma cidade ao acaso e, durante um ou dois dias, por lá ficava a observar os grupos de adolescentes que se metiam com crianças, mendigos e ou pessoas de idade, provocando, insultando e agredindo: putos odiosos, cientes da sua impunidade, armados em fortes com os mais fracos. Discretamente, seguia-os e avaliava a medida da sua maldade. (...) Depois, e em função dos seus níveis de odiosidade, agia de modo mais ou menos enfático, mas sempre com a seguinte base: logo que possível, apanhava o cabecilha do grupo, levava-o para um ermo e dava-lhe um enxurro de porrada monumental, até me implorar que parasse, muitas vezes borrado ou mijado de medo. O importante ali - mais que lhe partir a cara com estalos secos e poderosos - era fazê-lo compreender o erro da sua conduta (sua e da sua pandilha) e, claro, deixá-lo tão profundamente traumatizado de forma a nunca mais repetir tal tipo de acções, convencendo igualmente do mesmo os seus sequazes. (...) Enfim, uma peculiar ideia de fazer justiça, admito, mas que na altura deu frutos: as cidades costeiras ficaram mais calmas e os jornais começaram a falar de mim dizendo que eu era um gang."

Elíes de Maceda, Así lo Hacía, Ed. Pequeño Bolsillo, Gijón, 1998, páginas 24-26.
 
posted by Eduardo Brito at 7:29 da tarde | Permalink |


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