21.9.06
& companhia.

"(...) a fotografia foi tirada há muito tempo atrás, na Shakespeare & Company, em Paris. Nunca teve ensejo de querer ser mais do que uma construção da minha memória daquele espaço, capturando o reflexo dos livros num espelho com fotografias, desenhos e bilhetes de muitos leitores e viajantes que por lá passaram. Mas a leitura da imagem, feita meses depois, revelou muito mais do que uma simples fotografia de viagem: o acaso deu-me a conhecer uma outra história, escrita numa folha de papel, colada nesse mesmo espelho. Uma história sem tempo, sem nomes e sem rostos. Uma história de uma infinita tristeza:

"(Dear) George – I came (to) this place as one would (go) to a chapel. I’ve spent (the) last hour trying (to) decide if I should end my life.

My 21 year old son was a (victim) of bipolar disease (and /who) committed suicide by jumping off of Brooklyn Bridge.

(If) he could have discovered (this), your bookshop, this (miracle), perhaps he would have suvived.

(I) want to thank you for (…) the hope." "

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posted by Eduardo Brito at 3:16 da tarde | Permalink |


3 Comments:


At 10:55 da manhã, Blogger JC

Um livro, um texto, uma frase, são muitas vezes um milagre. "Salvam-me a vida" todos os dias. Podia muito bem ter sido.
Que arrepio, ao rever a foto, não?
Muito bonito e triste.

 

At 12:33 da manhã, Blogger G

Vai-me lembrando
Que há sítios que salvam vidas
Cartas que calam dores
Mortes cobertas de cores.

 

At 3:10 da tarde, Blogger maria

não sei por que revejo a fotografia sempre que passo por aqui. É tão triste, mas ao mesmo tempo tão comovente e tocante que não consigo evitar ficar uns minutos em silêncio a olhar para ela. Faz-me ficar calada a olhá-la, só. É tão estranha a sensação que passa. Há já algum tempo que a olho e queria deixar-te aqui escrito o que penso dela, tão triste e simultaneamente bonita a história que conta... Mas nunca encontrei bem o que te queria dizer. Apenas que é a fotografia com a história mais bonita que já vi escrita, inscrita. A mais surpreendente; a mais silenciosa e poética de que me lembro, sempre que a vejo.